|
Uma
compreensão adequada do trabalho de dinâmica exige
uma ampla perspectiva.
a)
primeiro: sua história é curta, não atingiu
ainda a completa maturidade;
b)
segundo: interessa-se por problemas intelectuais, consciente ou
inconsciente, matéria das ideologias sociais e políticas;
c)
terceiro: contribui para a literatura de dinâmica de grupo,
provêm de pessoas com formação e preparo muito
diferentes. Cada autor traz consigo determinados valores, sua
atitude, concepções, crenças, métodos
adequados de pesquisa e vocabulário específico.
O
estudo é recente, de origens heterogêneas, com grande
diversidade de valores, orientações teóricas,
suposições básicas, conceitos e métodos.
Preconceitos sobre Grupos
a)
discussões clássicas de filosofia social e política;
b)
duas opiniões;
c)
indivíduo é imperfeito ou mesmo mau.
É necessária a Organização Social,
controlar suas tendências agressivas, egoístas e
exploradoras.
·
Na opinião oposta o homem é intrinsecamente bom
e a organização social de todos os tipos é
má;
·
A Organização e o Grupo inibem e corrompem o indivíduo;
·
Infelizmente a dinâmica de grupo ficou associada à
primeira. Willian H. Whyte Jr.;
·
Tudo deve ser feito pelo grupo e no grupo: a responsabilidade
individual é sempre má, a supervisão pessoal
é má, e o mesmo ocorre até com a terapia
individual; as únicas coisas boas são reuniões
de comitês, decisões de grupo, pensamento coletivo
e reunião;
·
O indivíduo é imperfeito e impotente enquanto o
grupo é bom;
·
Todo responsável pela direção da vida de
grupos precisa formular algumas hipóteses de trabalho sobre
os valores que serão ganhos ou perdidos com qualquer tipo
específico de atividade coletiva.
·
As suposições básicas da maioria dos especialistas
em dinâmica de grupo podem ser resumidas através
de quatro proposições seguintes:
a)
os grupos são inevitáveis ou onipresentes, não
precisam conservar características num determinado período,
numa sociedade específica;
b)
os grupos mobilizam poderosas forças que têm influência
decisiva nos indivíduos. A noção de identidade
das pessoas é formada pelos grupos significativos para
ela: família, igreja, profissão e ocupação;
c)
os grupos podem ter conseqüências boas e más.
A opinião que são exclusivamente bons e maus, baseia-se
em provas convincentes, defeito é a sua parcialidade. Focalização
nas patologias, aspectos construtivos e quadro muito deformado
da realidade;
d)
uma compreensão correta da dinâmica de grupo (obtida
na pesquisa), permite intensificar deliberadamente as conseqüências
desejáveis dos grupos. Através do conhecimento da
dinâmica de grupo, é possível fazer com que
os grupos sirvam a melhores objetivos, pois o conhecimento permite
modificar o comportamento humano e as instituições
sociais.
O especialista em dinâmica de grupo admite que os grupos
exercem poderosas influências sobre as pessoas e que essas
influências podem ser prejudiciais para os indivíduos,
para o grupo e para a sociedade em geral. A ação
cooperativa é essencial para a realização
de objetivos importantes e os objetivos legítimos dos grupos,
para intensificar os melhores valores da sociedade e enriquecer
os recursos pessoais dos indivíduos.
Problemas da Limitação
do Campo
Um
determinado estudo precisa: observações específicas,
certas formas de classificação e termos para descrever
os resultados. A dinâmica de grupo conta com grande quantidade
de conceitos, teorias e propostas para ligar a teoria da dinâmica
de grupo a teorias mais gerais de comportamento humano.
Três
principais critérios para tal limitação
Tipos de Grupos
·
Sociólogos: preocupação com a classificação
dos grupos;
·
Características, extensão (número de participantes),
quantidade de interação física entre os membros,
grau de intimidade, nível de solidariedade, fonte de controle
das atividades do grupo, extensão da formalização
das regras;
·
Só se constróem dicotomias: formal - informal; primário
- secundário; pequeno - grande; comunidade sociedade; autônomo
- dependente; temporário - permanente; consensual - simbiótico;
·
Classificação segundo seus objetivos ou os ambientes
sociais: grupos de terapia, grupos sociais, comitês, clubes,
"gangs", times, grupos de coordenação,
grupos religiosos e outros.
Sistemas Conceituais
Limitar
o campo consistiria em considerar o emprego de um sistema conceitual
específico.
Métodos de Pesquisa
·
Trazidos para o laboratório e submetidos à experimentação
controlada;
·
Devemos concluir que nenhuma dessas maneiras de limitar o campo
é satisfatória.
Orientações Teóricas
O
estudante de dinâmica de grupo deve estar preparado para
encontrar e empregar uma grande variedade de tratamentos teóricos.
Lista de Orientações
1.
Teoria de campo é a teoria criada por Lewin (29). Seu nome
deriva da tese que comportamento é o produto de um campo.(espaço
de vida ou espaço social). Características estruturais
(representadas por: conceitos da topologia e da teoria de conjuntos).
2.
Teoria da Intervenção, desenvolvidas por Bales,
Homans e Whyte, concebe o grupo como um sistema de indivíduos
de intervenção. Seus conceitos básicos são:
atividade, interação e sentimento; tenta-se construir,
a partir destes termos, todos os conceitos de ordem mais elevada.
3.
Teorias de sistemas: sistemas de orientação e sistemas
de encadeamento de posições e papéis. Concepções
centrais no trabalho (Newcomb). A noção do sistema
de comunicação, sistema aberto (Miller e Stogdill).
4.
A orientação sóciométrica (criada
por Moreno e elaborada por Jennings): escolhas interpessoais que
ligam grupos de pessoas.
5.
Teoria psicanalática: acentua processos motivadores e defensivos
do indivíduo ( ampliada por Freud ). Nos últimos
anos elaborada por vários autores ( Bach, Bion, Ezriel,
Scheidlinger, Stock e Thelen. Conceitos de identificação,
regressão, mecanismos de defesa e o inconsciente.
6.
Teoria Cognitiva: importância de compreender como os indivíduos
recebem e integram as informações sobre o mundo
social e como essa informação influi em seu comportamento.
Houve importantes contribuições: Asch, Festinger,
Heider, Krech, Crutchfield e Scheerer.
7.
Orientação empírico-estatística: por
processos estatísticos, tais como a análise fatorial,
em vez de serem construídos a priori por um teórico.
Trabalham, fazem grande emprego dos processos desenvolvidos nos
testes de personalidade. Exemplos de tratamento: Cattell, Borgatta,
Cottrell, Meyer, Hemphill.
8.
Modelos formais: com o auxílio da matemática. Hayse
Bush, Simon, French e Harary.
Algumas Frentes de Diversidade
·
Principais formas de estudo dos grupos. Embora muitas delas pareçam
competir com outras, um estudo cuidadoso revelará que as
diferentes teorias e explicações, na realidade,
não se contradizem, mas, ao contrário, aumentam
e ampliam umas às outras;
·
Diversidade dos grupos e ambientes sociais pesquisados: crianças
na sala de aula, acampamentos de verão, unidades militares,
comitês, comissões de todos os níveis, negócios,
governo, grupos de vizinhança, grupos voluntários;
·
Diferenças nos problemas sociais motivadores da pesquisa.
Um projeto estimulado concentra-se em situações
e fenômenos sociais específicos. Meios de aumentar
a eficiência do grupo: divisão das responsabilidades
entre os participantes, aceitação dos objetivos
coletivos e a adequação de sua comunicação.
Uma pessoa que deseja reduzir os conflitos intergrupais, concentra-se
nas fontes de frustração, hostilidade autística
e na transmissão de estereótipos entre os componentes
do grupo. Tornar os grupos mais eficientes: transformar atitudes,
comportamento ou ajustamento pessoal, pode prestar especial atenção
à coesão coletiva, à pressão social
que produz conformismo e à atmosfera emocional criada pelos
treinadores ou terapistas;
·
Número de disciplinas que contribuem para o campo: diferentes
disciplinas, vocabulários especiais;
a)
Política: poder social / maior número possível
de fatos;
b)
Economista: recursos econômicos e aptidões tecnológicas;
c)
Sociólogo: acentuar o grupo numa sociedade organizada;
d)
Antropólogo: a importância da cultura;
e)
Psicanalista: processos inconscientes e defesa do ego são
mais importantes;
f)
Psicólogo: maneira de se encarar o grupo e relações
entre componentes.
Algumas questões teóricas fundamentais
a)
qual é a relação adequada entre coleta de
dados e a construção da teoria?
b)
quais são as técnicas de observação
e os objetos mais adequados de estudos?
c)
quais as variáveis fundamentais que determinam o que acontece
nos grupos?
d)
como é possível combinar, num sistema conceitual
compreensivo, os vários fatores que influem na vida do
grupo?
Até
o início do século, o estudo dos grupos estava na
fase especulativa. Nas duas ultimas décadas, a dinâmica
de grupo ingressou progressivamente numa terceira fase de desenvolvimento,
em que sua pesquisa é cada vez mais motivada pelo interesse
em tentar hipóteses "derivadas" de uma teoria
mais ampla.
Quem
trabalha com a orientação empírica básica,
sustenta ser necessário revelar as dimensões básicas,
através de processos como a análise fatorial. Os
especialistas em Sociometria concentram-se no desenvolvimento
dos testes sociométricos, antes elaboram uma teoria da
estrutura do grupo. Os interacionistas criam sistemas padronizados
de registro e classificação dos vários tipos
de interação.
Dada
a formação heterogênea e o fato da história
recente da dinâmica de grupo estar na fase empírica,
são muito diversos os fenômenos escolhidos para observação
e mensuração.
·
Orientação interacionista: distribuição
de freqüência das interações das várias
categorias de interação;
·
Sociometria e estrutura do grupo: suas observações
à estrutura sociométrica do grupo.
As
leis fundamentais da dinâmica devem ser apresentadas através
de relações funcionais do tipo: x é uma certa
função de y. Como selecionar e indicar os x e os
y em nossa pesquisa?
Um
estudo pode investigar como as variações da coesão
de um grupo influem na força de pressões para a
homogeneidade de opiniões entre os participantes do grupo.
Outro procura verificar como as variações na coesão
influem na expressão de hostilidade dos participantes do
grupo. Outro pode examinar como o grau de semelhança de
opiniões influi na coesão do grupo.
Para
reunir essas variáveis num sistema teórico, March
e Simon , criaram diversos mapas indicando como combinar as relações,
um deles indica que o grau em que os objetivos são vistos
como comuns e o número de necessidades individuais satisfeitas
no grupo determinam a freqüência de interação
no grupo, que influencia a força de identificação
com o grupo, que, por sua vez, influi sobre o grau em que os objetivos
são vistos como comuns e o número de necessidades
individuais satisfeitas no grupo.
Tipos de Métodos Empregados
Os
fenômenos da vida de grupo são estudados através
de muitas técnicas diferentes e cada nova publicação
apresenta alguma inovação metodológica, com
relativas vantagens e desvantagens de cada um. Como veremos nenhum
método isolado pode ser considerado o melhor, a escolha
precisa ser orientada pelos objetivos especiais de cada pesquisa.
Estudo de Campo
Estudos
de alguns grupos existentes, sem influências de uma forma
ou de outra.
Uma
limitação mais séria do estudo de campo é
a dificuldade para interpretar a causalidade, a fim de responder
a essa questão, Festinger, Schachter e Back, submeteram
suas hipóteses a uma experimentação mais
controlada.
Experimento Natural
Valor
potencial dos experimentos - Lieberman
Experimentos de Campo
Apresentados
por - Coch e French, e por Siegel e Siegel, nos cápítulos
18 e 13, são exemplos de experimentos de campo. No de Coch
e French - dificuldades bastante comuns sentidas na indústria,
quando se introduzem mudanças técnicas.
Experimento
de campo tem poucos inconvenientes; combina vantagens - método
experimental e estudo de campo.
Grupos Naturais no Laboratório
Estudo
dirigido por - French e Snyder.
Grupos Artificiais no Laboratório
Trabalhos
pioneiros - Sherif, Lewin, Lippitt e White.
Conclusões
Seria
um erro sustentar que um desses diferentes tipos de métodos
é o melhor.
Os
estudos de campo e os experimentos naturais contribuem com conclusões
provisórias, que podem ser submetidas a comprovações
mais rigorosas, através de experimentos mais controlados.
Ao mesmo tempo, os estudos e experimentos de campo são
necessários para verificar se as generalizações
obtidas em situações e em grupos artificiais podem
ser aplicadas, com segurança, a ambientes naturais.
Dinâmica de Grupo e Sociedade
No
mundo moderno, todos os ramos da ciência estão intimamente
ligados à sociedade.
Três
aspectos do trabalho de dinâmica de grupo - relações
com a sociedade:
a)
formulação de problemas de pesquisa;
b)
realização da pesquisa;
c)
transformação do conhecimento em aplicação.
Formulação de Problemas de Pesquisa
A
formação especializada e a orientação
teórica geral do pesquisador, influem em suas opiniões.
Realização da Pesquisa
Modificações
experimentais são significativas, o experimento tende a
ser perturbador ou até ameaçador. Para justificar
esses feitos, a pesquisa precisa oferecer, aos componentes do
grupo, alguma recompensa vantajosa. O problema correlato da utilização
de disfarce surge em muitas pesquisas - exemplificado por: Festinger,
Riecken e Schachter.
Transformação do Conhecimento em Aplicação
- Sumário
Dinâmica de Grupo: campo relativamente novo / apresenta
características da juventude.
Principais
questões:
a)
preconceitos sobre os valores ganhos ou perdidos através
de atividades de grupo;
b)
maneiras pelas quais o campo da dinâmica de grupo deve ser
diferenciado de outras especializações de ciência
social;
c)
a melhor orientação teórica para o estudo
de grupos;
d)
o emprego de métodos mais adequados aos objetivos da pesquisa;
e)
relações que devem existir entre a dinâmica
de grupo e a sociedade.
O
estudioso da dinâmica de grupo não deve trazer preconceito,
isto é, admitir que os grupos são "bons"
ou "maus". A melhor suposição é
pensar que os grupos podem facilitar ou inibir a realização
de objetivos sociais desejados.
A
dinâmica de grupo pode ser identificada unicamente por seu
objetivo central.
O
estudo da dinâmica de grupo é orientado por uma grande
diversidade de orientações teóricas. Embora
essa diversidade de formas de estudo e de esquemas conceituais
possa parecer confuso, reflete a juventude e o vigor do campo.
Questões
satisfatórias para um conjunto coerente de conhecimento:
a)
qual a relação adequada entre a coleta de dados
e a construção da teoria?
b)
quais são as técnicas de observação
e quais os objetos adequados de estudo?
c)
quais são as variáveis básicas que determinam
o que acontece no grupo?
d)
como combinar os muitos fatores que afetam a vida do grupo num
sistema conceitual compreensivo?
Cada
um tem vantagens e limitações, o problema básico
é selecionar o método mais adequado à pesquisa
objetiva e à fase de desenvolvimento teórico em
cada área de problemas.
A
íntima relação entre dinâmica de grupo
e sociedade reflete-se na formulação dos problemas
de pesquisa, na realização da pesquisa e na transformação
do conhecimento básico em ação. A sociedade
influencia o especialista e este, por sua vez, influencia a sociedade.
Ao fazer o seu trabalho, portanto, precisa não só
de habilidade intelectual e capacidade para o pensamento abstrato,
como também de aptidão social, sensibilidade e princípios
éticos elevados.
Grupo
de Formação 69 SBDG
Alexandre
Meira de Vasconcelos/Irene Maria Szczyiel/Maria Carolina de Castro
Leal/Walter D´Aquino da Silva
|